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terça-feira, 10 de maio de 2011

Vous venez souvent ici? ou Um sonho com cheiro de fossa



Numa casa abandonada com as escadas quebradas, um corpo caído apenas respirava. Era um alguém, não lembro o sexo, não lembro o rosto. Tenho apenas a lembrança do som que entrava e saia se sua boca. Não disse nenhuma palavra e manteve os olhos focados nos meus. Eu não me movia, estava em estado de choque, não sei o porquê, sempre fui de agir. Eu parada e o corpo respirando. Observei o movimento de sua barriga inchando e esvaziando, inchando e esvaziando. A casa tinha um cheiro de fossa estourada, mas após 1 hora parada em frente ao alguém o cheiro sumiu.
Ele me deu uma flor, eu sorri e começamos a dançar pelo salão. A valsa me dava uma sensação leve, me senti voando pelo espaço. Lá de cima olhei para todos e comecei a sorrir. Soltei as pétalas do talo, que caíram num turbilhão incensando o lugar. Soltei o meu par.
O alguém continuou a respirar, querendo dizer algo, mas eu não conseguia compreender. Vo- vo- vous v- venez souvent ici? Não entendi uma só parole. Estava confusa. O que disse? Respondi e alguém falou Vo- vo- vous v- venez souvent ici? O cheiro de fossa voltou e eu ainda não estava entendendo nada do que saia da boca daquela pessoa.
La mer était bleue e as ondas tão fortes, que o afogamento era inevitável. Foi então que perdi o ar e fiquei com os pulmões cheios de água. Cai numa casa abandonada com as escadas quebradas, um corpo caído apenas respirava. Era um alguém, não lembro o sexo, não lembro o rosto. Tenho apenas a lembrança do som que entrava e saia se sua boca. Não disse nenhuma palavra e manteve os olhos focados nos meus. Eu não me movia, estava em estado de choque, não sei o porquê, sempre fui de agir. Eu parada e o corpo respirando. Observei o movimento de sua barriga inchando e esvaziando, inchando e esvaziando. A casa tinha um cheiro de fossa estourada, mas após 1 hora parada em frente ao alguém o cheiro sumiu.
Virei água e vento e corri pela terra com a leveza do vento e o peso da água

quinta-feira, 10 de março de 2011

Texto sem pontos



Um dia desses em que nada se faz nada se diz nada se pede cheio de nada eu fico inerte na escuridão das palavras que o silencio pronuncia ouço uma música de amor apenas ouço e danço com os olhos rabisco o papel que continua em branco rabisco chuvisco olho no olho e flor no jardim bem mais vai mas vai mais mas mais mas mais mas nestas mais palavras sem significado apenas desenhadas no papel ocupando um espaço esquizofrênico desse universo verbal gritante sem pontos virgulas aspas parênteses sentido

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sim será.


Nos sentidos dos diversos sins vividos
dos nãos partidos
silencios abatidos.
Nos caminhos agora ainda mais perdidos
de muros escondidos
e abraços pedidos.

É ai que estou.
Praí que vou.
e digo que sim, será.
e sim será
e sim será
e sim será....
será?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

mundo


o mundo lá fora
com luzes amarelas, verdes, roxas
com rosas de vida curta
me chama
o mundo me grita,
me clama.
E eu grito
peço, clamo
"mundo me tire daqui!"

sábado, 27 de novembro de 2010

é

Minha alma já voltou pro meu corpo. Não tenho o que escrever, só quero postar algo para não deixar o post anterior como sendo algo atual...já passou aquela fase...
Então to seguindo o conselho da minha calourinha querida, jaque que falou pra postar qualquer coisa, mesmo que não faça sentido...

então é isso!


Josie voltou a ser Sorridente

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

desabafo



Ficar em casa...Tédio. Não sei mais o que fazer aqui... não aguento mais essas caixas de luz alienante e não quero arrumar meu quarto.
Está tudo uma desordem, mas não sinto ânimo para ordenar. Sei que parte dessa energia negativa que me envolve é culpa de toda essa desordem crônica, mas eu não tenho forças. Só tenho lágrimas...(to escrevendo sem parar, preciso desabafar, mas não sei com quem, nunca gostei de incomodar as pessoas)
Eu não sou forte, sou anêmica.
Me sinto presa aqui nesse lugar, sem ter coragem de sair, sem poder sair...não sei mais o que eu quero, não sei o que me faz triste, só sei que me sinto um lixo, pois sempre gostei de ter controle sobre mim mesma, cadê meu controle... só tem o poder do controle remoto que alimenta meu tédio, nada mais...
SOCORRO, a vontade de chorar não para de aparecer e eu não entendo. fecho os olhos e leio morte. Eu tenho medo.
eu não sou uma garota depressiva, nunca fui, esse negocio de chorar sem motivo não combina comigo, no entanto as lágrimas estão cada vez mais fortes...
to esquecendo de mim e deixando meu sorriso morrer. EU NÃO QUERO ISSO!!!
QUE PORRA É!?
Odeio publicar coisas muito pessoais, mas sinto que preciso disso.
Eu não quero me perder de mim!!!
não enxergo mais as palavras que escrevo.
Eu prometi pra enfermeira que não ia mais chorar, nem minha palavra tem valor. Odeio quebrar promessas e me sentir uma grade idiota fraca.
Ocupo os meus dias por que sou fraca pra suportar a solidão.
Quero voltar a respirar direito. Quero voltar a sonhar.
Hoje eu acordei tão bem... durante 2 horas.
Quero voltar a ser quem eu era ou mudar de vez.

domingo, 17 de outubro de 2010

levitudear



Na tentativa de voar me joguei na música,
atropelei o carro,
senti o vento

Na tentativa de voar fugi da labuta,
busquei teu amparo,
sai correndo.

Não voei
me carregaram.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

poema de nome oculto


As vezes nem é preciso conhecer
apenas sentir, perceber.
Acreditar que os sinais existem
e que tudo tem motivo e hora.
Por momentos pensei fantasiar
ainda não sei se fantasio,
mas e daí? O que importa é a sensação
não importa o seu nível de realidade.
E se for pra sofrer de amor
sentirei um gozo forte
afogando em meu peito.
É melhor sofrer de amor que não amar

E essa min'alma de artista
me traz amor sem pudor
me faz amar em liberdade
mesmo que seja unialteral
essa min'alma de artista
me faz sonhar e crer
que o que importa é sentir-me viva.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Corpo

Meu corpo fala palavras de dor
Meu corpo cala a cada torpor
Meu corpo pede pra se perder
Meu corpo não para mais de arder
em febre fico calada
trêmula sem nada sentir
em febre, paralisada
na dor de existir.

domingo, 6 de junho de 2010

Falar de amor




Eu vou tentar falar de amor
Seja lá de que maneira for
Eu vou tentar falar de amor
Vou gritar a frase silenciosa que não para
O silêncio tão forte que me cala
Mas eu continuo a tentar
Agora vou falar de amor.

O medo de amar calou o amor
Medo de se mostrar frágil
E sem sentir dor, nada se sente
nem cheiro, nem boca, nem flor
todo sentir se mente
e toda mente fica carente.
Agora ignoram-se os braços
abraços, os fatos.
Agora não se ama
Agora solidão.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Inércia



Do lado do corpo calado
me abalo mal falo
só grito.
Do olho aguado
me vejo sorrindo
chorando.

O mundo não gira mais.
paradoxo incondicional
de silêncio e fala,
o movimento para.

E o corpo calado
abalado
nada faz.
água os olhos
e nada faz.
sorri e chora
e nada faz
apenas olha.

-nada a fazer.

domingo, 2 de maio de 2010

danço





Nos passos.
nos braços
na voz cortante desse teu som
Eu me embalo
não me calo
canto, canto, danço, grito
me agito.

Nos passos,
no embalo do teu corpo
no sorriso do teu rosto
eu me afogo.
Há fogo
no gosto do teu olhar
me fez incendiar.
Não consigo parar.
Não quero parar.
dançar, dançar, dançar...

sábado, 24 de abril de 2010

O vento soprou na nuca

Arrepio forte como nunca

O corpo encolhe-se

Num calafrio bom

O vento se vai

A noite cai

Eu vago no caminho

Eu durmo.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

E na saliva se foi meu amor.
E sem saída me encontrei
sem vontade de calor.
Não querendo mais ninguém.

E na insegurança de correr
Escolhi morrer em teus braços
com uma vontade de gritar
num som constante
quase como um socorro.

E agora me vejo
no beco do teu beijo
satisfazendo teu desejo
e enganando o meu.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Verbo to be




não somos ser
somos estar
Não quero be
Só quero ir
curtir esses momentos
Dormir ao relento
amanhã não serei
Estarei.
Sonharei com um estado novo
Eu estou soltando palavras ao povo
Morte ao verbo to be!!!

quinta-feira, 18 de março de 2010

rotina

Ando numa rua estreita com muros de tijolos crus. Cruzo uma entrada e fico sem saída. Ando até aquele muro alto e velho e questiono minha mente.
Acordo, levanto, mijo, escovo os dentes. Estou pronta.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Aula

O som estridente das palavras agudas tomaram a sala.
dor nos ouvidos
figura bela.
O som pesado das palavras graves tomaram a sala.
Pressão no umbigo
figura bela.
Agora sons agudos e graves
soltam um peso estilhaçado
e eu apenas observo.
Anoto em meu caderno.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Poema Arredio

aos que não gostam de mim
a merda é o lugar
e uma foda mal dita
para eles irei gritar.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Dormir sem sonhar

De um um sono profundo
eu me consumo
bem lá no fundo de minhas entranhas
cada vez mais sacanas.
Agonizo num mundo todo preto
não ouço, não falo, não vejo
Apenas durmo, durmo, durmo
neste sono profundo.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ser

Ser uma folha daquelas que quando as crianças passam, arrancam
Uma folha frágil em meio a imensidão da árvore
Um ser vivo e simples que apenas balança e libera cheiros

Ser uma folha pequena que preocupações não encaram
Uma pequena folha mole e sem medo
Um verde de vida e não de dinheiro

Ser viva em plenitude.