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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sobre Aquilo Que Vi

Para Alexandre


Segunda, 30/06/2014

Uma vez li uma fábula em que um peixe virava homem. Hoje vi homem virar chuva escorrendo no espaço.
As mãos da chuva eram feitas de rocha fundida em placas tectônicas em movimento; o peito era feito de água-viva; e os pés, das raízes de um baobá. O resto era chuva dançando em pingos grossos de um temporal silencioso.
Os pontos luminosos do céu me indicavam caminhos não óbvios para o existir de minh’alma transeunte, e a chuva, que eu via fundida ao homem, levava meu olhar numa valsa incandescente.
Num espaço mágico, tão mágico como aquele, as possibilidades reverberam à existência daquilo que é visível, com cores de passagem, num instante transitório onde tempo e espaço são narrados pela ação.

E tudo vira poesia narrada pelo cruzeiro do sul e pela luz alaranjada e prateada e azul. E o silêncio grita a minha gratidão em poder presenciar essa existência revelada pela transitoriedade de ser em vida. 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Árvores

 
Árvore do caminho. Foto: Josie Pessoa

  Sempre tive fascínio pelo céu... ia pela estrada com os olhares hipnotizados nos tons de azul e nas formas das nuvens. O céu sempre me chamou, me trouxe a liberdade que eu tanto desejo. Dessa vez, na estrada, a paisagem que me puxou os olhares não foi a do azul, meu olhar estava mais baixo. Me encantava com as formas das árvores e os tons de verde das plantas e gramados misturados com os tons secos das montanhas. A árvore sozinha no alto da montanha verde viva falou comigo palavras sem lógica, mas cheias de amor e beleza. O conjunto de laranjeiras tinha um amarelo gritante num berro natural e minimalista. E o conjunto de árvores que não sei a espécie, com um ar de filme europeu me transportou para outro espaço bem longe de mim. A árvore seca acinzentada me mostrava o silêncio do qual as pessoas tem medo, aquele silêncio que provoca o tão difícil encontro com nosso eu. E os pequenos galhos e folhas saídos das pedras me ensinavam que tudo é possível dependendo do nível de determinação que se tem.  Aquele campo verde com um lago imenso, me lembrou do quanto sou pequena nesse mundo. Sou uma formiguinha perto daquelas árvores de tronco grosso com raízes expostas e barrocas.  Lembrei de Arnaldo Antunes me cantando: "As árvores são fáceis de achar, ficam plantadas no chão"... Lembrei também da árvore da parada do 52 perto da minha casa, em Natal. A árvore que dá sombra e acompanha aqueles que esperam, que avisa aos ônibus que ali tem gente esperando. Aquela árvore já me protegeu do sol do meio dia e já conversou comigo algumas vezes quando a espera era longa. Lembrei da nossa longa conversa numa noite a uns 6 anos atrás.

    Antes, interpretava o meu fascínio pelo céu como uma manifestação do meu espírito sedento de liberdade e cheio de sonho (ainda vejo assim), a paixão pelo céu não se apagou, mas ao me deparar inteiramente cativada pela terra durante pouco mais de 6 horas de estrada fiquei curiosa quanto a essa nova percepção de espaço, seria uma nova percepção de mim? Será que a mudança de ares me trouxe outras mudanças? Meus desejos estão criando raízes? A terra me traz mais clareza de mim.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Pensando com o mar

imagem: Rodrigo Benatti



Não se deixe abalar por estas plumas que fazem cócegas nos teus pés. Não exploda sua paixão sem controle. Olho para o mar pensando no abismo que me joguei, penso se foi bom e me digo que sim. É sempre bom voar, mesmo que a queda seja intensa, dolorosa e longa. É sempre bom voar no escuro dos seus olhos olhando os meus. Agora eu paro em frente ao mar pensando no infinito azul.  Não quero mais compreender o incompreensível. Somos apenas seres viventes de impulsos nervosos e tensões osciladoras. Não espero mais nada dos teus olhos fechados, que agora, quando abrem olham para outra direção. Não espero nada do escuro. Não espero mais nada, só penso na infinitude do mar. 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

2012 será o fim?



Dizem por aí que, segundo o calendário Maia, o mundo vai acabar no dia 21 de dezembro de 2012, mas será que vai mesmo? Também diziam que o início do século XXI seria o fim, pessoas se mataram, gastaram todo o seu dinheiro e tudo mais. E 2012, se o calendário Maia acaba ai, quem garante que o motivo é este? Por que o fim do mundo? Não pode ser o fim de uma era?  De qualquer maneira é um fim, mas nós vivemos fins todos os dias. O final é inerente a cada história vivida, ele começa a existir a partir do momento que o começo se faz. Esse medo do fim do mundo na verdade é o medo da morte. Não adianta dizer “eu não tenho medo de morrer, blábláblá, todo mundo morre” TODO MUNDO (até os que vêem na morte a verdadeira e inteira libertação) TEM OU POR ALGUM MOMENTO NA VIDA JÁ TEVE MEDO DE MORRER, e é esse medo do fim que faz com que o globo repórter e todas as mídias de massa rondarem o mito de 2012.
No calendário Maia nunca foi dito “o mundo vai acabar em 2012”, mas sim o fim de um ciclo e fim de ciclo todo mundo vive todos os dias.  A partir do momento que nós existimos ficamos presos a esse fio de moebius que é a vida e a única coisa que fazemos é passar por esse fio todas as manhãs ao acordar até ele ser cortado. O lado bom dessa história que tem várias pessoas por ai dizendo que vão festejar no dia 20 de dezembro de 2012. A festa da libertação. Eu acho que deveríamos comemorar o ano todo fazer uma espécie de carnaval que durasse até a hora do possível fim, afinal segunda aquela produção hollywoodiana que quase todo mundo assistiu (digo quase, porque eu não vi) todos nós morreremos de fome ou de frio ou afogados ou tudo isso junto e no escuro, diga-se de passagem.
Pois bem se o fim vai chegar de qualquer, seja no mito, seja na morte, seja no ciclo... O remédio é aproveitar bem o início o e meio e viver aquela frase super clichê, mas super saudável: “carpe diem”

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O Corpo Poético - Uma história que é difícil de desnvolver



Trecho do relatório para a disciplina de pedagogia do corpo

Era uma sexta-feira dia quatro de março de 2011, acordei sem me espreguiçar, com o corpo cheio de pressa para ir à aula de pedagogia do corpo, cheguei cedo. Este foi o dia em que fui apresentada a máscara neutra, ao vesti-la acabei preenchendo todo o meu corpo de tensão, sufoco e medo. Era o medo da descoberta de um mundo que havia dentro de mim e que eu antes não prestara atenção. A cada dia descobria algo novo, era como se fosse apresentada mais uma vez àquela máscara, era uma escrita em um livro cheio de páginas brancas onde cada página era um dia, e uma não se ligava a outra, porém era a continuação da anterior.

[...]

Essas páginas, muitas vezes já repletas de palavras que serão reescritas, vão formando este ator que não só acredita ou identifica-se, mas interpreta como diz Lecoq em seu livro O Corpo poético. E interpretar não é demonstrar, é se fazer entender, e para isso é preciso que o ator se auto-interprete, se conheça, tenha consciência do seu corpo. É preciso que o ator entenda que poética existe dentro de si, e para isso é necessária a neutralidade, pois não se escreve poesia em um papel cheio de informações, assim não há espaço.

Os exercícios iam sendo passados sexta após sexta. Perguntas iam surgindo, mas não havia uma resposta objetiva para nenhuma delas. “Como é ver algo inesperado dentro daquilo que eu já estava observando?” me perguntava, toda vez que começava e terminava de executar o exercício de olhar um barco no horizonte. Às vezes fechava os olhos antes de vestir a máscara pra tentar perceber que barco era aquele, mas no momento em que vestia a nova face e me virava para o restante da sala, me esvaziava de imagem e ocupava toda minha mente de cuidados: Cuidado com o grupo, cuidado com os pés, cuidado com o dedinho da mão direita, cuidado. Ficava tensa. Nunca pensei que fosse tão difícil imaginar. Chegava á frente de todos e começava a observar o horizonte, mas como posso observar o barco no horizonte se mal posso ver o horizonte? Não basta pontuar, mudar o grau de energia, o ator tem que ver e fazer o outro ver junto com ele, caso contrário não há comunicação, não há poesia.

[...]

A comunicação corporal não se dá em prosa, se dá em poesia. O ator deve ser como disse Aurora “(...) As que falam como uma novela, em vil prosa, são essas moças românticas e pálidas que se andam evaporando em suspiros; eu falo como um poema: sou a poesia que brilha e deslumbra!” (p.21)[1].O ator deve brilhar com o mínimo de esforço, deve fazer a sua poética transparecer.

[...]

Hoje, chegando ao fim da disciplina sinto como se meu aprendizado esteja apenas começando. Olho pra trás e vejo um caminho com mar, cais, navio, horizonte, areia, floresta, montanha, deserto e um sol, tentando se pôr no fim para que um novo começo chegue.



[1] ALENCAR, José de “Senhora”. Editra Martin Claret- outono de 2003



segunda-feira, 5 de julho de 2010

hare boll



Inspiração profunda que expande meu corpo
Uma energia forte corre em minhas mãos
Uma energia fecha meus olhos,
movimenta meu tronco,
me faz sorrir.
Já não vivo mais aqui.
Eu transcendo a cada inspirar
Ascendo a luz dos meus olhos
Guio as correntes entre minhas mãos.
Sou livre, não ando, flutuo
o sorriso não quer mais soltar minha cara
ando pela rua feito uma babaca
uma babaca feliz
cheia de amor e paz
com uma flor nos cabelos.

___________________________________________

"I wanna turn the whole thing upside down
I'll find the things they say just can't be found
I'll share this love I find with everyone
We'll sing and dance to mother nature's songs
I don't want this feeling to go away

Who's to say I can't do everything?
Well I can try, and as I roll along I begin to find
Things aren't always just what they seem" (upside down- Jack Johnson)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Escuro


De maneira clara minha mente se confunde, mente e desmente demasiadamente. Fico sem atitude, fico sem vontade. Hora quero ser feliz para sempre, hora vejo que o para sempre e tempo demais. Estagno, mecanizo, me perco no que faço e no que digo.

Eu quero acordar enquanto a cidade dorme. Fazer como Bobby que se levanta e anda no escuro quando todos estão dormindo “É como estar vivo e morto ao mesmo tempo, sabe?É tipo esse lance do meio do caminho, onde as pessoas que estão vivas estão sonhando e as pessoas que estão mortas estão onde estão e eu estou aqui no escuro e no silêncio.”

domingo, 7 de dezembro de 2008

Kate e Karin

O choro dela me cortava o peito
Era um som rasgante, agudo...
Sua dor eram minhas lágrimas.
A culpa é minha,
toda minha...
Deixe-a de lado
pensnado em outras circunstâncias da vida.
Elas precisavam de mim...
estavam sem meu carinho.
Ocupava meus dias
e esquecia.
Daquelas doces criaturas que me despertavam sorrisos.
Não conversavamos mais...
Chegava em casa tão atordoada com o mundo externo,
nem oi dizia a elas...
Primeiro foi-se uma
E a outra...
Numa tristeza profunda...
Me despertou a culpa...
outra tristeza profunda,
Esta em meu peito.

Agora escrevo em lágrimas a minha dor
Minha saudade,minha mágoa.
Minha culpa eterna.

Odeio o verão.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Reflexão

Ontem quando estava no ônibus, voltando pra casa, passei por outro ônibus que tinha acabado de ser assaltdo, ele ia para Parnamirim. Estava rodeado de policiais, causando o maior trânsito em pleno horário de pico. Passei pelo ônibus e vi a expressão de 2 passoas que estavam sentadas perto da janela, estáticas, com os olhos marejados de lágrimas de desespero.
Após esse fato e outros fatos como o o garoto de 6 anos. Não parei de pensar: "Até onde vai essa violência, que está tomando conta do nosso país?"."Pagamos impostos pra quê?". Pagamos impostos pra ter saúde, moradia, educação, transpote e segurança! E o qeu temos com qualidade? Afinal estamos entre os países de impostos mais caros. Não temos nada!!!
Os postos de saúde e hopitais públicos vivem em pessimas condições, com lotação, pouco equipamento e remédio, sujo... Sem falar na falta de saneamento básico em inumeros bairros, causando assim doenças.
Pessoas não tendo onde morar fazem um barracozinho pra viver, e a prefeitura decide montar algo lucrativo no terreno e tira a pessoa de lá. O MST é um dos movimentos mais fortes e atuantes no país, provando mais uma vez que a questão de moradia é precária.
Minha mão é professora de uma escola estadual, onde falta recursos para a melhoria das salas de aula e onde o espaço deveria ser melhor aproveitado, pois o terreno da escola é enorme, mas só se utilizou um parte dele deixando a outra a ver navios, e tornando a parte desocupada um ótimo lugar para assaltos, estupros e drogas. Não é só a escola da minha mãe que é assim, várias escolas publicas se encontram em situação como essa!
Na metade do ano passado as empresas de ônibus estavam querendo aumentar a passagem para 1, 92, mas os estuadantes foram as ruas para impedir este aumento absurdo. Então a passagem ficou 1, 60, o que pra mim ainda e muito. Afinal andar de ônibus está se tormando um risco com os assaltos que estão tendo neles. Você ter que pagar pra andar num ônibus caindo os pedaços(porque são poucos os bonitinhos), muitas vezes lotados, ahh e ainda tem que esperar altas horas na parada, porque tem ônibus que só passa uma vez na vida e outra na morte, nunca vi! E quando chega não da nem pra andar de tão cheio, e quando não tá tão cheio mas tá todo ocupado ainda rola aquele assalto básico. Não dá!!! Eu não to dizendo pro transporte ser gratuito não, mas sim para que seja mais barato e com uma melhor qualidade, até porque nós já pagamos ele nos impostos e bem carinho!!! Ahh e já ia esquecendo você fez cursinho esse ano e agora que o cursinho acabou sua carteira foi bloqueada, e quem disse que vc n é mais estudante!? te perguntaram isso? Também é uma coisa à se pensar!!!
Da segurança e da violência eu não preciso nem falar, até porque está nos jornais todos os dias em varias manchetes, todas com tipos de violências diferentes. Todas mostrando o reflexo da falta de conciência humana.

Já tá na hora de pararmos de passear na praça dando milho aos pombos, não acha!?