domingo, 6 de junho de 2010

Falar de amor




Eu vou tentar falar de amor
Seja lá de que maneira for
Eu vou tentar falar de amor
Vou gritar a frase silenciosa que não para
O silêncio tão forte que me cala
Mas eu continuo a tentar
Agora vou falar de amor.

O medo de amar calou o amor
Medo de se mostrar frágil
E sem sentir dor, nada se sente
nem cheiro, nem boca, nem flor
todo sentir se mente
e toda mente fica carente.
Agora ignoram-se os braços
abraços, os fatos.
Agora não se ama
Agora solidão.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Escuro


De maneira clara minha mente se confunde, mente e desmente demasiadamente. Fico sem atitude, fico sem vontade. Hora quero ser feliz para sempre, hora vejo que o para sempre e tempo demais. Estagno, mecanizo, me perco no que faço e no que digo.

Eu quero acordar enquanto a cidade dorme. Fazer como Bobby que se levanta e anda no escuro quando todos estão dormindo “É como estar vivo e morto ao mesmo tempo, sabe?É tipo esse lance do meio do caminho, onde as pessoas que estão vivas estão sonhando e as pessoas que estão mortas estão onde estão e eu estou aqui no escuro e no silêncio.”

terça-feira, 11 de maio de 2010

Inércia



Do lado do corpo calado
me abalo mal falo
só grito.
Do olho aguado
me vejo sorrindo
chorando.

O mundo não gira mais.
paradoxo incondicional
de silêncio e fala,
o movimento para.

E o corpo calado
abalado
nada faz.
água os olhos
e nada faz.
sorri e chora
e nada faz
apenas olha.

-nada a fazer.

domingo, 2 de maio de 2010

danço





Nos passos.
nos braços
na voz cortante desse teu som
Eu me embalo
não me calo
canto, canto, danço, grito
me agito.

Nos passos,
no embalo do teu corpo
no sorriso do teu rosto
eu me afogo.
Há fogo
no gosto do teu olhar
me fez incendiar.
Não consigo parar.
Não quero parar.
dançar, dançar, dançar...

sábado, 24 de abril de 2010

O vento soprou na nuca

Arrepio forte como nunca

O corpo encolhe-se

Num calafrio bom

O vento se vai

A noite cai

Eu vago no caminho

Eu durmo.