Em todo o piso estão espalhadas massas de diários. Os diários estão dependurados em cordas como roupa, desde o teto até o solo, sobre o solo, em desordem. Pilhas de diários. No meio, uma banheira de ferro. Corre água fervendo, molha os montes de diários. Ruído de água, baforadas de vapor, nuvens inteiras de vapor. Diante da mesa uma mulher gorda passa os diários molhados. Joga baldes de água – a água corre por todas as partes, baforadas de vapor.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
“Pequeno local escuro"
Em todo o piso estão espalhadas massas de diários. Os diários estão dependurados em cordas como roupa, desde o teto até o solo, sobre o solo, em desordem. Pilhas de diários. No meio, uma banheira de ferro. Corre água fervendo, molha os montes de diários. Ruído de água, baforadas de vapor, nuvens inteiras de vapor. Diante da mesa uma mulher gorda passa os diários molhados. Joga baldes de água – a água corre por todas as partes, baforadas de vapor.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
O Corpo Poético - Uma história que é difícil de desnvolver

Era uma sexta-feira dia quatro de março de 2011, acordei sem me espreguiçar, com o corpo cheio de pressa para ir à aula de pedagogia do corpo, cheguei cedo. Este foi o dia em que fui apresentada a máscara neutra, ao vesti-la acabei preenchendo todo o meu corpo de tensão, sufoco e medo. Era o medo da descoberta de um mundo que havia dentro de mim e que eu antes não prestara atenção. A cada dia descobria algo novo, era como se fosse apresentada mais uma vez àquela máscara, era uma escrita em um livro cheio de páginas brancas onde cada página era um dia, e uma não se ligava a outra, porém era a continuação da anterior.
[...]
Essas páginas, muitas vezes já repletas de palavras que serão reescritas, vão formando este ator que não só acredita ou identifica-se, mas interpreta como diz Lecoq em seu livro O Corpo poético. E interpretar não é demonstrar, é se fazer entender, e para isso é preciso que o ator se auto-interprete, se conheça, tenha consciência do seu corpo. É preciso que o ator entenda que poética existe dentro de si, e para isso é necessária a neutralidade, pois não se escreve poesia em um papel cheio de informações, assim não há espaço.
Os exercícios iam sendo passados sexta após sexta. Perguntas iam surgindo, mas não havia uma resposta objetiva para nenhuma delas. “Como é ver algo inesperado dentro daquilo que eu já estava observando?” me perguntava, toda vez que começava e terminava de executar o exercício de olhar um barco no horizonte. Às vezes fechava os olhos antes de vestir a máscara pra tentar perceber que barco era aquele, mas no momento em que vestia a nova face e me virava para o restante da sala, me esvaziava de imagem e ocupava toda minha mente de cuidados: Cuidado com o grupo, cuidado com os pés, cuidado com o dedinho da mão direita, cuidado. Ficava tensa. Nunca pensei que fosse tão difícil imaginar. Chegava á frente de todos e começava a observar o horizonte, mas como posso observar o barco no horizonte se mal posso ver o horizonte? Não basta pontuar, mudar o grau de energia, o ator tem que ver e fazer o outro ver junto com ele, caso contrário não há comunicação, não há poesia.
[...]
A comunicação corporal não se dá em prosa, se dá em poesia. O ator deve ser como disse Aurora “(...) As que falam como uma novela, em vil prosa, são essas moças românticas e pálidas que se andam evaporando em suspiros; eu falo como um poema: sou a poesia que brilha e deslumbra!” (p.21)[1].O ator deve brilhar com o mínimo de esforço, deve fazer a sua poética transparecer.
[...]
Hoje, chegando ao fim da disciplina sinto como se meu aprendizado esteja apenas começando. Olho pra trás e vejo um caminho com mar, cais, navio, horizonte, areia, floresta, montanha, deserto e um sol, tentando se pôr no fim para que um novo começo chegue.
[1] ALENCAR, José de “Senhora”. Editra Martin Claret- outono de 2003
terça-feira, 10 de maio de 2011
Vous venez souvent ici? ou Um sonho com cheiro de fossa

terça-feira, 15 de junho de 2010
Corpo
domingo, 13 de junho de 2010
Para se amar um artista
Nós temos que ser livres. E ser livre não significa ser rebelde, adverso, descompromissado ou desinteressado. Ser livre não significa fazer o que acha que deveria para parecer independente. Ser livre não significa agir inconsequentemente sem se preocupar com o que o outro sente, com o que o outro pensa, com que o outro precisa. Ser livre não é estar ausente.
Aliás, acho que esse é um dos maiores desafios da liberdade: estar presente. Porque pra você ser livre você tem que entender o mundo, a diversidade dos sentimentos, a diversidade de pessoas, a diversidade de idéias e opiniões. Você tem que fazer suas escolhas sem ferir as alheias, sem prender, sem forçar, sem dominar.
Ser livre não é estar no topo, é estar. Apenas. E pra se amar de verdade um artista é preciso entender que nada é o que parece, que as coisas mudam e quem nem sempre dão certo. É preciso entender que sonhos podem virar realidade - nem que seja somente na ponta do lápis - mas que nem sempre esses sonhos são reais. Podem ser só sonhos do artista. É preciso entender que as horas passam, os dias passam, os anos passam e ele vai estar sempre lá, apaixonado pelo trabalho (que vai ser o único amante verdadeiro se sua vida).
Por esse motivo o artista ama seu trabalho: porque é livre. Para se amar um artista é preciso olhar com atenção e se deixar ser olhado. É preciso estar só e deixar só - sem realmente estar em ambos os momentos. É preciso criar: rotinas dentro do caos, novas histórias dentro da história, motivos pra amar, espaços pra viver.
É estar lá e saber que o artista também vai estar. É sentir e saber que o artista também vai sentir. É amar e saber que o artista também vai amar. Sem necessariamente ele ter que provar isso a todo momento. As provas de amor de um artista vêm através de sua arte. O quanto mais ele ama, mais ele se sente criador.
Não que o artista não crie também quando está triste ou desamado - mas aí é quando o amor próprio fala.
Ele às vezes vai parecer distante, às vezes vai parecer frio, às vezes vai parecer triste - e não vai ser por sua causa. O artista sofre, sozinho, de sua própria criação.
Ele às vezes vai parecer animado, às vezes vai parecer eufórico, às vezes vai parecer feliz. Aproveite sempre esses momentos com ele. Mas não quero dizer com tudo isso que amar um artista é uma entrega solitária. Ele também vai te amar, e te agradar, e te respeitar: se você for livre.
Livre pra amar seu jeito desconexo. Livre pra entender suas ausências. Livre pra admirar suas criações. Livre pra controlar o ciúmes. Livre pra se ausentar sem jogos. Livre pra viver sem amarras. Livre pra amar sem medo. Livre sem medo de ser amado da forma que ele souber amar. Para se amar um artista tem que se entender que o amor é livre, sem necessariamente ser o amor livre desvairado ou o amor livre desinteressado.
O amor é livre pois é pessoal, individual e intransferível. É variável dentro de uma mesma forma e simples o suficiente para assustar. Para se amar um artista tem que saber que não importa o que acontecer, se você for digno de receber amor - qualquer tipo de amor - ele será seu. Inevitávelmente. Pode parecer complicado, muitas regras, muitos problemas... mas não, não é assim.
A grande questão que você precisa saber responder para saber se pode ou não amar um artista é: Você sabe ser livre? Se a resposta for não, eu sinto muito. Se a resposta for sim, então apenas te informo que, se você for realmente livre, o artista te amará antes que você o ame - e não há como não amar um artista apaixonado." Autor desconhecido
sexta-feira, 16 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Ideais
O vazio se repele
Na imensidão das minhas idéias
constantes e "imparavéis"
Imagino as platéias
Observando as paisagens
Vago pelas sinapses cerebrais
da minha própria imagem
Ligo os meus canais
Pensando uma mensagem
Eu quero gritar todos os nervos
Explodir a inquietude artística que me consome
Eu quero olhar pra alguns
e dizer para uns mediocres de merda
Fodam-se!!!
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
A Possibilidade de Fazer Sombra
O Grupo Gaya de dança contemporânea apresenta nos dias 5 e 6 de Setembro, às 19h, no auditório da Escola de Música UFRN o espetáculo "A Possibilidade de Fazer Sombra". A entrada é 5 reais (meia) e 10 reais( inteira). Estão todos convidados.O Grupo Gaya de dança contemporânea existe desde 1991, fundado pelo professor e coreografo Edson Claro e faz parte dos grupos de extensão da UFRN. Desde o ano passado a linguagem do grupo vem sendo modificada, passando a adotar a dança-teatro no seu processo criativo.
Este ano temos a professora Karenine Porpino na coordenação e o coreografo e pesquisador da dança-teatro Mauricio Motta na direção artística.
A Possibilidade de Fazer Sombra foi um trabalho produzido em conjunto pelos integrantes do grupo, através de improvisações e estudos do cotidiano propostos por Mauricio Motta.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
confusão de idéias

Buscando algo para acupar uma mente percebi que não era necessário busca nenhum. A mente nunca tá desocupada.
Novos baianos é muito bom, preta, preta, pretinha.
Na mesa do computados abaixo do vidrinho que tem eu vi (mãe, será que o macarrão tá bom já?) eu vi um cartão com uma borboleta colorida. Como seria o mundo sem cores?
que tristeza...
Minha cabeça não para de pensar, na música, nas letras, no teclado, no almoço...
Aqui tem um quadro tão bonito de uma rosa que minha mãe nunca terminou, ela devia terminar...
As pessoas precisam descobrir a meditação (não sei porque pensei nisso agora, mas pensei).
Ai tenho que ir me arrumar porque tenho dança hoje a tarde. Por falar em dança devia ter pensado em uma armadilha, mas que armadilha?
se alguém souber de uma, me fala por favor!
obrigada.
Agora vou comer, tomar banho e voltar para o mundo real externo aos meus pensamentos.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Máscaras
que não querem se mostrar
mas caras mascaradas
nem sempre são falsas
são outras caras da própria cara.
Mais caras mascaradas
ocupam o mundo a cada dia.
Nem sempre precisa ter carnaval
pra ter máscaras.
cada cara com sua máscara
inventa o que quer ser
A cara mascarada
ensconde o proprio eu.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Aula de Ruy
Hummm ele abraça o garoto com nome da cantor, meio sem muita intimidade.
O cara barbudo usa vermelho. Me lembrei do filme " A culpa e do fidel" onde a mulher diz a garota que os barbudos são os vermelhos, os comunistas... ela tinha uma visão um pouco errada sobre o comunismo. Disse para a garota que eles eram terroristas e qndo os pais da menina chegam ela se assusta, pois seu pai estava barbudo. Virara comunista.
Adoro homens barbudos...=x
É estranho... o professor está parado de frente para o quadro, será que esta tendo um caso com ele? ou será que simplismente está pensando? ou será que esqueceu o que ia escrever? Virou. Voltou a falar.
Ele me aponta de diz 2, eu sou 2? É eu sou 2.
Agora o barbudo de vermelho pede para que a turma entre no site da wikipédia. Bom eu sendo o 2 devo pesquisar sobre internet.
vou pesquisar.
A mulher dos tempos pré-históricos entrou porta a dentro e começou a dar suas informações.
Meu texto:
Nós ingressamos numa matrix. A internet é uma matrix, a TV também. O mundo é um matrix e nós seguimos as ordens dos chefes dessa matrix.
Bicho eu to viajando já, né!?
É que eu to tão feliz hoje. Vivi algo tão surreal.

Imagem da Pina bausch
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Medo

Medo de ter medo.
Medo de ver quem eu sou.
quem eu sou?
quem eu sou?
por que nada responde?
sou nada,
sou ninguém
Meu olho ébrio vê dobrado,
minha cabeça louca te vê do lado.
Medo de te ver parado,
estático
O medo paranóico de mim mesmo
vai me deixando com medo de ti
Sai do meu lado!
não te quero mais por perto!
Sai!
Volta!
o mundo fica mais escuro sem você
Tenho medo do escuro.
Estou no meio do medo.
Estou no meio da estrada vazia.
Estou no meio do querer e do não querer.
Estou com medo do meio.
Estou com medo do eu você.
medo de mim.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
A dança da bailarina
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Olhar
Um simples olhar me atingiu
como vento, que bate à pele suavemente,
olhando-me alegremente
fazendo eu me sentir gente.
Um olhar simples,
mas cheio de poder
me fazendo perder
a noção de tudo,
me deixando mudo.
Um olhar, um mundo.
Por que me olha tanto?
não seriam as estrelas mais bonitas
do que eu
o olho respondeu:
Estrelas são apenas pontos no céu
que brilham apenas à noite,
Você é luz eterna
que me faz sonhar
e eu fico a te olhar


