sábado, 11 de fevereiro de 2012

2012 será o fim?



Dizem por aí que, segundo o calendário Maia, o mundo vai acabar no dia 21 de dezembro de 2012, mas será que vai mesmo? Também diziam que o início do século XXI seria o fim, pessoas se mataram, gastaram todo o seu dinheiro e tudo mais. E 2012, se o calendário Maia acaba ai, quem garante que o motivo é este? Por que o fim do mundo? Não pode ser o fim de uma era?  De qualquer maneira é um fim, mas nós vivemos fins todos os dias. O final é inerente a cada história vivida, ele começa a existir a partir do momento que o começo se faz. Esse medo do fim do mundo na verdade é o medo da morte. Não adianta dizer “eu não tenho medo de morrer, blábláblá, todo mundo morre” TODO MUNDO (até os que vêem na morte a verdadeira e inteira libertação) TEM OU POR ALGUM MOMENTO NA VIDA JÁ TEVE MEDO DE MORRER, e é esse medo do fim que faz com que o globo repórter e todas as mídias de massa rondarem o mito de 2012.
No calendário Maia nunca foi dito “o mundo vai acabar em 2012”, mas sim o fim de um ciclo e fim de ciclo todo mundo vive todos os dias.  A partir do momento que nós existimos ficamos presos a esse fio de moebius que é a vida e a única coisa que fazemos é passar por esse fio todas as manhãs ao acordar até ele ser cortado. O lado bom dessa história que tem várias pessoas por ai dizendo que vão festejar no dia 20 de dezembro de 2012. A festa da libertação. Eu acho que deveríamos comemorar o ano todo fazer uma espécie de carnaval que durasse até a hora do possível fim, afinal segunda aquela produção hollywoodiana que quase todo mundo assistiu (digo quase, porque eu não vi) todos nós morreremos de fome ou de frio ou afogados ou tudo isso junto e no escuro, diga-se de passagem.
Pois bem se o fim vai chegar de qualquer, seja no mito, seja na morte, seja no ciclo... O remédio é aproveitar bem o início o e meio e viver aquela frase super clichê, mas super saudável: “carpe diem”

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011




Um dia assim como este, de sol... eu em casa.
Um dia assim como este, sem chuva... eu em casa.
Um dia longo e quente... chovendo em mim.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O Corpo Poético - Uma história que é difícil de desnvolver



Trecho do relatório para a disciplina de pedagogia do corpo

Era uma sexta-feira dia quatro de março de 2011, acordei sem me espreguiçar, com o corpo cheio de pressa para ir à aula de pedagogia do corpo, cheguei cedo. Este foi o dia em que fui apresentada a máscara neutra, ao vesti-la acabei preenchendo todo o meu corpo de tensão, sufoco e medo. Era o medo da descoberta de um mundo que havia dentro de mim e que eu antes não prestara atenção. A cada dia descobria algo novo, era como se fosse apresentada mais uma vez àquela máscara, era uma escrita em um livro cheio de páginas brancas onde cada página era um dia, e uma não se ligava a outra, porém era a continuação da anterior.

[...]

Essas páginas, muitas vezes já repletas de palavras que serão reescritas, vão formando este ator que não só acredita ou identifica-se, mas interpreta como diz Lecoq em seu livro O Corpo poético. E interpretar não é demonstrar, é se fazer entender, e para isso é preciso que o ator se auto-interprete, se conheça, tenha consciência do seu corpo. É preciso que o ator entenda que poética existe dentro de si, e para isso é necessária a neutralidade, pois não se escreve poesia em um papel cheio de informações, assim não há espaço.

Os exercícios iam sendo passados sexta após sexta. Perguntas iam surgindo, mas não havia uma resposta objetiva para nenhuma delas. “Como é ver algo inesperado dentro daquilo que eu já estava observando?” me perguntava, toda vez que começava e terminava de executar o exercício de olhar um barco no horizonte. Às vezes fechava os olhos antes de vestir a máscara pra tentar perceber que barco era aquele, mas no momento em que vestia a nova face e me virava para o restante da sala, me esvaziava de imagem e ocupava toda minha mente de cuidados: Cuidado com o grupo, cuidado com os pés, cuidado com o dedinho da mão direita, cuidado. Ficava tensa. Nunca pensei que fosse tão difícil imaginar. Chegava á frente de todos e começava a observar o horizonte, mas como posso observar o barco no horizonte se mal posso ver o horizonte? Não basta pontuar, mudar o grau de energia, o ator tem que ver e fazer o outro ver junto com ele, caso contrário não há comunicação, não há poesia.

[...]

A comunicação corporal não se dá em prosa, se dá em poesia. O ator deve ser como disse Aurora “(...) As que falam como uma novela, em vil prosa, são essas moças românticas e pálidas que se andam evaporando em suspiros; eu falo como um poema: sou a poesia que brilha e deslumbra!” (p.21)[1].O ator deve brilhar com o mínimo de esforço, deve fazer a sua poética transparecer.

[...]

Hoje, chegando ao fim da disciplina sinto como se meu aprendizado esteja apenas começando. Olho pra trás e vejo um caminho com mar, cais, navio, horizonte, areia, floresta, montanha, deserto e um sol, tentando se pôr no fim para que um novo começo chegue.



[1] ALENCAR, José de “Senhora”. Editra Martin Claret- outono de 2003