Estava na parada de ônibus quando te encontrei. Você chegou e foi direto olhar os ônibus que passavam ali. Não demorou muito, o Troncal 10 chegou e nós demos o sinal, chamando o ônibus. Eu entrei primeiro e sentei na janela ao lado de uma senhora. Você entrou, e primeiro ficou de pé. Logo sentou numa cadeirinha, ficando quase de frente pra mim. Não vi o momento em que sentou. Quando te olhei, já estava lá, olhando a janela e anotando em um pedaço de papel. Você olhava a paisagem do aterro do flamengo e escrevia em seu papelzinho. Eu fiquei te observando, pensando: O que será que ele está escrevendo? Será que é o que ele vê? Será que é o que ele imagina? Será o que ele imagina e vê? Ou será o que ele imagina que vê? Ou o que vê que imagina? A senhora já não estava mais sentada do meu lado. Nem percebi o momento que ela saiu. Estava concentrada em você, na sua escrita. Você tem uma letra tão miudinha. Parecia um dos personagens da minha imaginação. Tinha um jeito peculiar de morder o lábio inferior enquanto escrevia. Eu te observava escrever no papel, enquanto escrevia na mente esse conto. Eu observava seus detalhes, da sua barba por fazer bem desenhada, do band-aid no dedão do seu pé direito, da sua calça amarela, de como coçou o olho. Você observava a janela.
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Troncal 10
Estava na parada de ônibus quando te encontrei. Você chegou e foi direto olhar os ônibus que passavam ali. Não demorou muito, o Troncal 10 chegou e nós demos o sinal, chamando o ônibus. Eu entrei primeiro e sentei na janela ao lado de uma senhora. Você entrou, e primeiro ficou de pé. Logo sentou numa cadeirinha, ficando quase de frente pra mim. Não vi o momento em que sentou. Quando te olhei, já estava lá, olhando a janela e anotando em um pedaço de papel. Você olhava a paisagem do aterro do flamengo e escrevia em seu papelzinho. Eu fiquei te observando, pensando: O que será que ele está escrevendo? Será que é o que ele vê? Será que é o que ele imagina? Será o que ele imagina e vê? Ou será o que ele imagina que vê? Ou o que vê que imagina? A senhora já não estava mais sentada do meu lado. Nem percebi o momento que ela saiu. Estava concentrada em você, na sua escrita. Você tem uma letra tão miudinha. Parecia um dos personagens da minha imaginação. Tinha um jeito peculiar de morder o lábio inferior enquanto escrevia. Eu te observava escrever no papel, enquanto escrevia na mente esse conto. Eu observava seus detalhes, da sua barba por fazer bem desenhada, do band-aid no dedão do seu pé direito, da sua calça amarela, de como coçou o olho. Você observava a janela.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Sobre Aquilo Que Vi
Para Alexandre
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Árvores
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Eles dois...
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Pensando com o mar
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Uma Conversa Para Uma História
- me conte uma história
- pro mais rápida que seja
- nossa... não tenho nenhuma em mente agora
- invente
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
- era uma vez um menino chamado joão
- uhm
- ele subiu numa árvore bem alta para ver o ponto mais longe que poderia alcançar sua visão
- e lá, bem longe ele avistou um ponto todo florido
- era uma menina com vestido de flores e uma margarida na mão
- ele desceu correndo e foi até ela
- mas quando chegou lá ela já tinha partido
- então ele voltou pra árvore gigante e voltou a procurar a menina do vestido de flores e margarida na mão
- fim
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
“Pequeno local escuro"
Em todo o piso estão espalhadas massas de diários. Os diários estão dependurados em cordas como roupa, desde o teto até o solo, sobre o solo, em desordem. Pilhas de diários. No meio, uma banheira de ferro. Corre água fervendo, molha os montes de diários. Ruído de água, baforadas de vapor, nuvens inteiras de vapor. Diante da mesa uma mulher gorda passa os diários molhados. Joga baldes de água – a água corre por todas as partes, baforadas de vapor.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Encenação III
Pessoal, estou pagando a disciplina de encenação III e como muita gente sabe, nós temos que criar uma encenação e não ganhamos dinheiro para a montagem, sai tudo do nosso bolso, por isso peço a ajuda de vocês para que eu possa atingir o orçamento que preciso.Para quem viu o trabalho desenvolvido no ano passado e gostou, dá uma força ai pra gente continuar desenvolvendo o processo de criação. Quem puder ajudar me fara uma pessoa muito feliz. Obrigada!
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Vontade
Sabe aqueles dias que a gente acorda depois de um sonho bom, que não se consegue recordar, mas a certeza de que foi bom é bem clara e a sensação boa -aquela sensação que lhe dá vontade de passar um dia inteiro com um sorriso no rosto como se tivesse acabado de gozar- permanece ali invicta, forte, cheia de vida? Você fica tentado lembrar o tal sonho e nada, não vem nenhuma vírgula sequer. Eu queria ter esse prazer de novo. O prazer de não recordar o sonho apenas sentir o gozo dele.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
2012 será o fim?
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
O Corpo Poético - Uma história que é difícil de desnvolver

Era uma sexta-feira dia quatro de março de 2011, acordei sem me espreguiçar, com o corpo cheio de pressa para ir à aula de pedagogia do corpo, cheguei cedo. Este foi o dia em que fui apresentada a máscara neutra, ao vesti-la acabei preenchendo todo o meu corpo de tensão, sufoco e medo. Era o medo da descoberta de um mundo que havia dentro de mim e que eu antes não prestara atenção. A cada dia descobria algo novo, era como se fosse apresentada mais uma vez àquela máscara, era uma escrita em um livro cheio de páginas brancas onde cada página era um dia, e uma não se ligava a outra, porém era a continuação da anterior.
[...]
Essas páginas, muitas vezes já repletas de palavras que serão reescritas, vão formando este ator que não só acredita ou identifica-se, mas interpreta como diz Lecoq em seu livro O Corpo poético. E interpretar não é demonstrar, é se fazer entender, e para isso é preciso que o ator se auto-interprete, se conheça, tenha consciência do seu corpo. É preciso que o ator entenda que poética existe dentro de si, e para isso é necessária a neutralidade, pois não se escreve poesia em um papel cheio de informações, assim não há espaço.
Os exercícios iam sendo passados sexta após sexta. Perguntas iam surgindo, mas não havia uma resposta objetiva para nenhuma delas. “Como é ver algo inesperado dentro daquilo que eu já estava observando?” me perguntava, toda vez que começava e terminava de executar o exercício de olhar um barco no horizonte. Às vezes fechava os olhos antes de vestir a máscara pra tentar perceber que barco era aquele, mas no momento em que vestia a nova face e me virava para o restante da sala, me esvaziava de imagem e ocupava toda minha mente de cuidados: Cuidado com o grupo, cuidado com os pés, cuidado com o dedinho da mão direita, cuidado. Ficava tensa. Nunca pensei que fosse tão difícil imaginar. Chegava á frente de todos e começava a observar o horizonte, mas como posso observar o barco no horizonte se mal posso ver o horizonte? Não basta pontuar, mudar o grau de energia, o ator tem que ver e fazer o outro ver junto com ele, caso contrário não há comunicação, não há poesia.
[...]
A comunicação corporal não se dá em prosa, se dá em poesia. O ator deve ser como disse Aurora “(...) As que falam como uma novela, em vil prosa, são essas moças românticas e pálidas que se andam evaporando em suspiros; eu falo como um poema: sou a poesia que brilha e deslumbra!” (p.21)[1].O ator deve brilhar com o mínimo de esforço, deve fazer a sua poética transparecer.
[...]
Hoje, chegando ao fim da disciplina sinto como se meu aprendizado esteja apenas começando. Olho pra trás e vejo um caminho com mar, cais, navio, horizonte, areia, floresta, montanha, deserto e um sol, tentando se pôr no fim para que um novo começo chegue.
[1] ALENCAR, José de “Senhora”. Editra Martin Claret- outono de 2003
terça-feira, 10 de maio de 2011
Vous venez souvent ici? ou Um sonho com cheiro de fossa

terça-feira, 19 de abril de 2011
Para ela

quinta-feira, 10 de março de 2011
Texto sem pontos

Um dia desses em que nada se faz nada se diz nada se pede cheio de nada eu fico inerte na escuridão das palavras que o silencio pronuncia ouço uma música de amor apenas ouço e danço com os olhos rabisco o papel que continua em branco rabisco chuvisco olho no olho e flor no jardim bem mais vai mas vai mais mas mais mas mais mas nestas mais palavras sem significado apenas desenhadas no papel ocupando um espaço esquizofrênico desse universo verbal gritante sem pontos virgulas aspas parênteses sentido
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Lembranças
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Você sabe o que tem naquela placa amarela?

sábado, 22 de janeiro de 2011
O que eu quero?

As vezes eu me pego perguntando “o que eu realmente quero?” e a resposta é um silêncio. Um silêncio longo e profundo, que nada diz e ao mesmo tempo me diz tudo. É como se fosse uma resposta para tudo aquilo que todo mundo quer saber. Mas o que é que eu realmente quero nessa enigmática vida? Dessa previsível vidinha provinciana?
Fecho os olhos.
Respiro.
Eu quero estar cercada de árvores. De frente pro pôr-do-sol. Sentada na areia de uma praia deserta. Viajando sem destino com os vidros do carro abertos, o som nas alturas gritando “Viver é bom, nas curvas da estrada, solidão que nada”. Quero estar sorrindo com os meus amigos. Quero estar dançando num lugar desconhecido uma música que só eu posso ouvir. Eu quero ouvir os pássaros. Quero ouvir as ondas. Quero ver a lua. Eu quero sentir a liberdade que cada paisagem, cada grão de areia voando pelo caminho, cada onda, cada asa, enfim tudo aquilo que muitas vezes as pessoas esquecem de observar emana. E a cada visão, ou melhor, a cada sentido eu quero me sentir livre como uma estrela cadente que se joga no espaço, veloz.
Mas é só o silêncio que eu tenho. O belo, longo e profundo silêncio.
Vou andar pelas ruas e olhar para as flores e para as pessoas andando com seus cachorros e para o céu cheio de nuvens.





